A Música Clássica no Cinema

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Conheça um Pouco Sobre a Música Clássica no Cinema

As Trilhas sonoras começam a surgir com propósitos muito bem definidos, de modo que seria exigir muito, que elas sejam uma grande música quando só precisam ser apenas memoráveis com umas imagens que acompanham.

Algumas parcerias entre os diretores e os compositores – como Spielberg e John Williams, Kieslowski e o Preisner, Leone e Morricone, dentre muitos outros – atestam a centralidade de composição para um ótimo filme, mas é bastante difícil que essas trilhas sonoras tenham uma grande valia fora dos filmes.

Me lembro especialmente dos excelentes trabalhos de Bernard Herrmann para os filmes de Hitchcock e que, afinal, não são nada atrativos quando são isolados na sala de concerto.

E quando os diretores preferem aquela música clássica surge a dificuldade adicional de poder conciliar uma composição previamente por escrito com a sua intenção no filme – e daí somos apenas apresentados a algumas associações por algumas vezes felizes, mas que tendem a ser bem óbvias, como no uso da “Cavalgada das Valquírias” e na seqüência do bombardeio de napalm visto em Apocalipse Now (1979).

Por ora, é interessante aqui o uso de algumas músicas que por vez conciliaram bem com a imagem cinematográfica.

Escolhi aqui um filme que, creio, foram significativamente bem favorecidos pela trilha que os seus diretores escolheram e, com o passar de alguns anos, se tornaram simplesmente impensáveis sem elas. Nesse, vemos que a música não acrescentou algo somente a uma cena em particular, mas sim, foi necessária o mesmo para dar o sentido a todo o filme.

2001: Uma Odisseia no Espaço de (1968)

Veja o filme de Stanley Kubrick e o grande poema sinfônico como “Assim falou Zaratustra”, de 1896, de Richard Strauss. Este foi o primeiro filme com a trilha inteiramente formada por algumas composições já escritas, não existindo qualquer música original. Ocorreu que durante a criação do filme, as obras de Ligeti, Johann Strauss e a de Richard Strauss foram usadas como um tipo de fundo musical provisório e útil tanto para a criação de Kubrick quanto para inspirar o Alex North, que foi o compositor da trilha definitiva.

 

E agora todo o monólito se lembra Richard Strauss

Em 2001 encontramos uma coerência entre a narrativa cinematográfica, a música e a filosofia muito apropriada: Nietzsche sempre se manifestou a vontade de ver em algum dia o seu poema transformado em música – no que chegou bem perto quando inspirou algumas outras composições, como a  “A Mass of Life”, de Frederick Delius, e também a “Terceira Sinfonia” de Mahler.

Porém, somente o Richard Strauss se propôs a dar uma grande representação musical plena de algumas idéias de Zaratustra, o profeta criado pelo filósofo alemão, e que, em sua passagem mais famosa, o homem é denominado um ser que reside entre o simples primata e o além do homem – Übermensch.

Zaratustra anuncia para os homens a possibilidade de saltar a sua condição, que depois lhe parecerá tão ignóbil quanto aos símios que nos parecem atualmente – e claro, isso com certeza não tem nada a ver com a evolução física.

E a música de Strauss não só ilustra esse passo como o conecta com o pensamento de Nietzsche – seja lá o que viermos a ser depois da transvalorização de todos os valores que Zaratustra do filósofo ansiava, será incompreensível em nosso atual estágio.

 

Trailler do Filme Uma Odisséia no Espaço 1968:

 

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